Na jornada de recuperação em Alcoólicos Anônimos, nos deparamos com paradoxos que desafiam a lógica comum. São mistérios que só o coração entende.
O primeiro paradoxo é este: admitir que somos impotentes diante do álcool é o passo que nos devolve o poder. Ao reconhecer que não conseguimos controlar nossa bebida, abrimos espaço para que um Poder Superior atue em nossas vidas.
Outro paradoxo profundo: para ganhar, precisamos perder. Para ficar sóbrio, precisamos desistir da batalha contra o álcool. Para nos tornarmos livres, precisamos nos render.
A cada dia, somos convidados a viver "só por hoje". Esse é o paradoxo do tempo: concentrar-se nas próximas 24 horas, sem se preocupar com o amanhã. É um mistério que traz imensa paz.
Há ainda o paradoxo da humildade: precisamos nos tornar pequenos para crescer. Quanto mais reconhecemos nossa fragilidade, mais nos aproximamos da força que nos sustenta. Este é um mistério que se revela na prática dos Doze Passos.
E por fim, o paradoxo do serviço: é dando que recebemos. Quando ajudamos outro alcoólico, somos nós mesmos que mais nos beneficiamos.
"É dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado." — Essa verdade, tão conhecida, ganha novo significado quando aplicada ao nosso programa de recuperação.
Talvez o maior mistério seja este: quanto mais nos esvaziamos de nosso ego, mais somos preenchidos por uma força que nos sustenta. A humildade, tão necessária, parece uma fraqueza mas é a maior fortaleza.
Os paradoxos misteriosos nos acompanham todos os dias. Eles nos lembram que o Programa de Recuperação não é uma ciência exata, mas um caminho espiritual que se revela aos poucos.
Que possamos abraçar esses paradoxos misteriosos com humildade e gratidão. Eles são a chave para uma vida nova.
Só por hoje.
