No caminho da recuperação em Alcoólicos Anônimos, somos convidados a adotar princípios que vão além da abstinência. Um dos mais belos ensinamentos que encontramos na Irmandade é o lema “Viva e Deixe Viver”, que nos inspira a praticar a tolerância, o respeito e a liberdade.
Muitas vezes, em nossas reuniões e no convívio com outros membros, nos deparamos com opiniões e comportamentos diferentes dos nossos. O programa nos ensina que não devemos impor nossas crenças ou julgamentos. Cada um tem seu próprio ritmo de aprendizado e sua forma de aplicar os Passos. A humildade nos permite reconhecer que não temos todas as respostas. Bill W., cofundador de AA, escreveu em Os Doze Passos e as Doze Tradições: “Não somos capazes de modificar as pessoas; só podemos amá-las.” Essa frase reflete bem o espírito do “Viva e Deixe Viver”. Quando deixamos de lado a necessidade de controlar ou criticar, encontramos paz interior e contribuímos para um ambiente de acolhimento.
O princípio “Viva e Deixe Viver” também se reflete em nossas relações familiares e profissionais. Antes da recuperação, muitas vezes queríamos controlar tudo e todos. Hoje, aprendemos a confiar que cada pessoa tem seu próprio caminho. Nos grupos de AA, testemunhamos essa diversidade: alguns membros trabalham os Passos mais rapidamente, outros levam mais tempo; alguns frequentam reuniões diariamente, outros semanalmente. A unidade não exige uniformidade, mas respeito mútuo. Como costumamos dizer, “o AA não tem dono; é uma irmandade de iguais”.
A Décima Primeira Tradição fala sobre nossa necessidade de permanecer anônimos, mas também podemos entender que cada membro tem o direito de viver sua vida como achar melhor, desde que não prejudique a unidade do grupo. O “Viva e Deixe Viver” é um convite à maturidade emocional e à confiança no processo de recuperação. Hoje, podemos aplicar este princípio em casa, no trabalho e na Irmandade. Ao invés de tentar mudar os outros, focamos em nossa própria evolução. Cada dia é uma oportunidade de praticar o desapego e a compreensão.
Que a nossa caminhada seja marcada pela serenidade de aceitar o que não podemos modificar, coragem para mudar o que podemos e sabedoria para distinguir uma da outra. Só por hoje, deixo viver.
(Texto inspirado na literatura de Alcoólicos Anônimos.)
